Reduzindo o Impacto

Aqui na GB você já sabe: todas as peças que usamos são veganas, ou seja, não usamos nenhum produto que seja derivado de animais. Além disso, temos uma preocupação grande com a sustentabilidade e isso se reflete tanto em nosso design, já que buscamos sempre produzir peças duráveis e atemporais, quanto na escolha dos tecidos.

Parece, mas não é.

Por muitos motivos (mídia, interesses e mais um milhão de razões) somos levados a acreditar que algumas fibras/tecidos são mais sustentáveis, por parecem mais naturais. Fibras como o algodão e a viscose por exemplo, aparentam agredir menos o meio ambiente. Além disso, muita gente acredita que as fibras de origem animal são menos poluentes, afinal “é só cortar o pelo da ovelhinha, juntar tudo e fazer um casaco“. Mas essa história está muito mal contada.

No gráfico abaixo, que traduzimos do report “Pulse of the Fashion Industry | 2017” (que você pode baixar clicando aqui) podemos notar a gritante diferença do impacto ambiental causado na produção de fibras de origem animal, como o couro, poluente nº1, seguido pela seda, algodão e lã.

Pra facilitar o entendimento e tornar o material mais acessível, traduzimos alguns trechos e gráficos que comparam o impacto ambiental da produção de algumas fibras, considerando todos os fatores possíveis. Confere abaixo:

Pelo gráfico acima, notamos que o algodão, apesar de muitas vezes ser “vendido” como sustentável, é ainda bem problemático: é a fibra que mais causa danos ambientais por uso de água e é a terceira que mais causa impacto no ranking geral. Uma das alternativas seria o uso do algodão orgânico, que reduz em 75% o impacto, quando comparado ao algodão convencional. Mas o plantio de algodão orgânico ainda representa apenas 1% da produção mundial da fibra.

O poliéster surge então como uma alternativa viável para substituir o algodão, pelo menos até que novas fibras naturais como o cânhamo se firmem no mercado com preços competitivos. Segundo o estudo, mesmo com “efeitos colaterais”, é melhor utilizar poliéster do que algodão. O problema da contaminação da água com os micro plásticos liberados na lavagem de roupas feitas com poliéster pode ser resolvido utilizando filtros nas máquinas de lavar. Também, a fibra do poliéster não é biodegradável, mas é muito mais fácil de ser reciclada.

Nós utilizamos o poliéster como alternativa à lã e seda, pensando na causa animal e ambiental, e muitas vezes, deixamos de lado o algodão para dar lugar ao poliéster. Mas não existe roupa 100% sustentável. O que existe é a consciência do problema e esforços contínuos para encontrar alternativas e reduzir o impacto. Esse estudo que mostramos acima aponta ainda que a maior dificuldade está em convencer o consumidor de que o algodão não é isso tudo que a gente pensa, e que as fibras alternativas podem ser tão confortáveis e bonitas quanto o algodão.

Por isso, dividimos essas informações com vocês. Acreditamos que esse é um trabalho em conjunto, onde o produtor e o consumidor unam esforços para fazer escolhas melhores e construir uma moda mais sustentável.

Ah, e temos uma série de textos que podem te ajudar nisso. Começa por aqui:
https://gabrielabasso.com.br/serie-em-busca-do-guarda-roupa-perfeito-pt-1/

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