Quem tem medo do veganismo?

Hoje, dia 01/11, comemoramos o Dia do Mundial do Veganismo. A data foi instituída em 1994 pela Vegan Society, em comemoração aos seus 50 anos de fundação. Esse estilo de vida empático, consciente e altruísta ainda causa estranheza em muitas pessoas, seja pela falta de informação ou até mesmo informações equivocadas, mas principalmente porque ela bate em um ponto fraco de nós todos, seres humanos: a autorresponsabilidade.

Dificilmente quem busca e tem acesso a realidade da indústria pecuária não se abala com o que descobre: um universo de tortura e sofrimento, que se esconde atrás de muros altos que muitos de nós evitamos escalar. A verdade é dura, é feia e dói. E dói também saber que a mudança depende apenas de nós mesmos.

A Gabi Basso, estilista e criadora da marca, conta um pouco como foi esse processo para ela:

“Minha caminhada em direção ao veganismo aconteceu como consequência da minha busca e aprendizado sobre questões de desigualdade no nosso planeta. Depois de algumas leituras e experiências, ficou claro para mim que, se eu defendo a não violência, o fim da opressão dos mais fortes sobre os mais fracos, e se eu realmente amo todas as criaturas, não fazia sentido me alimentar dos corpos dos meus irmãos terráqueos. Uma vez que a ficha caiu, a mudança aconteceu tranquilamente, pois minhas motivações são pessoais, mas também externas a mim. A questão alimentar foi a mais fácil, pois o que mais existe são variedades de vegetais, grãos, frutas e folhas maravilhosas (e também bons industrializados veganos). O mais difícil é lidar com o trauma das minhas ações anteriores, das imagens que vi, das histórias que li, e da não compreensão dos outros. Dói muito. Mas também fortalece. Ser coerente com nossos valores é libertador. A lente através da qual vemos o mundo passa a ser outra, que nos faz enxergar a interligação de todas as opressões e, consequentemente, ver tudo e todos com mais compaixão e amor.”

Veganos em ação

A quantidade de pessoas que optam por um estilo de vida vegano vem aumentando no mundo inteiro, só no Brasil o número de veganos dobrou em 6 anos.  Apesar disso, o assunto ainda não ganhou as grandes mídias, principalmente por envolver interesses políticos e econômicos. Ou seja, o consumo de carne e laticínios é incentivado e a crueldade é constantemente amenizada e mascarada.

O veganismo, por definição, exclui todas as formas de exploração e de crueldade contra animais. Muitas vezes acaba sendo confundido com uma simples dieta, mas ele vai muito além disso. O veganismo é um estilo de vida, e impacta sua forma de consumir alimentos, produtos de beleza e até entretenimento.

Para quem se sensibiliza com a causa, mas ainda tem dúvidas e receios, listamos alguns motivos que podem te incentivar a aderir essa causa e fazer parte da luta pela igualdade e liberdade de todos os terráqueos que habitam esse planeta.

 

Faz bem para a saúde:

Já existem muitos estudos que comprovam que uma dieta sem produtos de origem animal reduz os riscos de doenças cardíacas, sobrepeso, diabetes entre tantas outras. Sabemos que os animais criados para o abate recebem grandes doses de antibióticos e hormônios que são transferidos para o nosso corpo, na medida em que nos alimentamos deles. Uma dieta vegana por si só contém muito menos gorduras saturadas e colesterol e muito mais vitaminas C e E, fibras, potássio e magnésio do que uma dieta com produtos de origem animal. Uma dieta vegana bem equilibrada então, é comprovadamente capaz de fornecer todas as vitaminas e nutrientes vitais necessários para se viver com saúde e já existem também nutricionistas especializados em dietas veganas que podem ajudar nesse entendimento e facilitar a transição.  Mas lembre-se: optar apenas por uma dieta sem nenhum item de origem animal te torna um vegetariano estrito, não um vegano.

 

Mais informação e  consciência: 

Quem resolve optar por esse estilo de vida, normalmente o faz acompanhado de muito estudo sobre o assunto, e principalmente, sobre a alimentação. Isso acaba levando a muita informação nutricional que muitas vezes sequer considerávamos. A preocupação com a ingestão adequada de nutrientes nos leva a entender muito mais os alimentos que ingerimos, desde a forma de plantio, adição de agrotóxicos, conservação e forma de preparação. Não é a toa que muita gente, após virar vegano, reduz o açúcar, gorduras saturadas e vários outros alimentos que também prejudicam o funcionamento do nosso corpo. Além disso, a consciência do consumo como ato político se expande para outras áreas, fazendo com que você questione muitos hábitos prejudiciais para o planeta e outros seres sencientes.

 

Faz bem para o Meio Ambiente:

Temos uma triste notícia: o desmatamento de grandes áreas da Amazônia não é para fazer móveis e lápis de cor. Mais de 80% do desmatamento é para a criação de novas áreas de pasto para a criação de gado. Florestas estão virando pasto.

Tenta acompanhar o fluxo incoerente da destruição: Florestas são queimadas, liberando fumaça e monóxido de carbono (poluentes), vacas são colocadas em lugares onde antes haviam arvores, árvores essas que realizam a fotossíntese, que é o processo que transmuta o gás carbônico (poluente) em oxigênio. Vacas liberam gás metano, o gás do efeito estufa. O rebanho mundial de bovinos gira em torno de 998,3 milhões de animais, e a quantidade de hectares desmatada nesse ano é de 4.326.722 hectares. Faz a conta mental, tenta projetar isso em 10 anos e depois conta se não bate um desespero.

Fim do Sofrimento Animal:

O ser humano cria justificativas para explorar outros seres, e uma história contada muitas vezes, pode acabar se tornando uma verdade coletiva. A exploração animal surgiu junto com a revolução agrícola, quando o homem deixou de ser nômade caçador coletor e passou a se estabelecer em assentamentos permanentes. A partir daí, vem a história de crueldade e abuso que você já deve conhecer.

Apenas parar de comer carne não elimina o sofrimento., temos que ir além. As vacas leiteiras, por exemplo, são continuamente “fertilizadas”,  tendo seu leite roubado e seus filhotes são separados logo no nascimento. Filhotes fêmeas tem um futuro igual ao da mãe. Já os filhotes machos, são submetidos a uma dieta líquida altamente calórica e pobre em ferro e trancados em uma jaula sem a possibilidade de movimentos, para que assim não desenvolva músculos, produzindo uma carne macia e suculenta, que conhecemos por  vitela.

“A expectativa de vida natural de galinhas selvagens é de 7 a 12 anos, e de bovinos é de 20 a 25 anos. Na natureza, a maioria das galinhas e das vacas morria muito antes disso, mas ainda tinha uma boa chance de viver por um número respeitável de anos. Já a grande maioria de galinhas e vacas domesticadas é abatida com algumas semanas, ou no máximo alguns meses de vida, porque essa sempre foi a idade ideal para abatê-la de uma perspectiva econômica. (Por que continuar alimentando um galo por três anos se ele já chegou ao seu peso máximo depois de três meses?)(…) As galinhas e vacas domesticadas podem ser uma história de sucesso do ponto de vista evolutivo, mas também estão entre as criaturas mais miseráveis que já existiram. O aumento drástico no poder coletivo e o visível sucesso de nossa espécie andaram de mãos dadas com muito sofrimento individual.”  Yuval Noah Harari em Sapiens, Uma breve história da humanidade.

 

E aí, só coisa boa né?

Entendemos que cada pessoa tem sua  história, traumas e hábitos, e nosso objetivo é incentivar e facilitar a transição para esse estilo de vida livre de sofrimento. Então, fiquem de olho aqui no blog, que vamos falar muito mais sobre isso.

“Animais são meus amigos…e eu não como meus amigos. Enquanto formos os túmulos vivos dos animais assassinados, como poderemos esperar  uma condição ideal de vida nesta terra? Quando um homem mata um tigre, ele chama isso de esporte, mas quando um tigre mata uma pessoa dizem que isso é ferocidade.”

George Bernard Shaw

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