Economia Circular e o Projeto Supernova

Você já ouviu falar em economia circular? Trata-se de um modelo que busca reduzir ou eliminar a extração de novas matéria-primas, e evitar ou facilitar o descarte dos produtos.

O modelo que nossa indústria segue hoje é linear:

Extração > Produção > Distribuição  > Consumo > Descarte

(se você ainda não viu o famoso vídeo “A História das Coisas, clica aqui, super recomendamos)

O modelo circular  se baseia na natureza: uma fruta, quando cai do pé, com a ajuda da ação do ambiente (vento, sol, chuva, micro-organismos) acaba se decompondo, e retornando ao solo como matéria orgânica nutritiva. Eventualmente, uma semente acaba por brotar, gerando uma nova planta, que gera um fruto, que cai do pé, se decompõe… é o ciclo natural da vida no planeta.

Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

Nosso modelo industrial acaba gerando resíduos que demoram aaaaaanos para se decompor,  liberam gases tóxicos nesse processo e consome matérias primas não renováveis – que um dia acabarão. Logo, esse modelo não pode existir por muito tempo em um planeta com recursos finitos. É necessário repensá-lo, e a natureza está aí para servir de inspiração.

Como criar produtos que tenham componentes orgânicos que podem ser decompostos ao final do ciclo? Ou, como reciclar materiais utilizando energia renovável, como a eólica e a solar, transformando- os novamente em matéria prima, sem reduzir seu valor? Ou como aumentar a vida útil de produtos através de consertos, substituição de materiais, acabando com a obsolescência programada?

https://greenstitched.com/2017/08/03/cradle-to-cradle-fashions-grave-reality/

O ciclo das roupas hoje: comprar > usar > jogar fora > descartar

Na moda, as três alternativas são possíveis. Porém, cada uma tem suas peculiaridades.

A reciclagem de tecidos é um processo um pouco complicado. Ainda não existe reciclagem de tecidos com fibras misturadas, que é o que acontece com a maioria dos tecidos. E dificilmente essa fibra reciclada se torna matéria prima com a qualidade original, tornando-se assim um subproduto, de qualidade inferior. A utilização de fibras orgânicas como linho e algodão orgânico é uma opção que reduz o tempo de decomposição, por serem fibras naturais. Porém, o ideal é que essas fibras não sofram nenhum tipo de tingimento com produtos químicos nocivos, que podem contaminar os lençóis freáticos.

manufatura > venda > uso > decomposição > plantio

A obsolescência programada acontece quando a indústria reduz propositalmente o tempo de duração de um produto, ou lança com frequência produtos atualizados, forçando ou influenciando o consumidor a adquirir a nova geração do produto. Na indústria do vestuário, é  o que chamamos de ‘moda’.  A ‘moda‘ de hoje não passa de formas de influenciar o consumidor a adquirir novos produtos, muitas vezes sem necessidade. A melhor forma de combater esse tipo de obsolescência dos produtos de moda (onde a meia arrastão é trend > vira brega > volta a ser in) é focar em produtos atemporais. Aquelas peças que todo mundo usa, independente de serem tendência ou não. Pensar em tecidos de qualidade, que sobrevivam ao uso contínuo e lavagens também é super necessário. Focar em um design atemporal, que não siga uma moda passageira e que cumpra seu papel de vestir/ proteger / esquentar. E isso tudo é responsabilidade do produtor / estilista de moda.

Pensando em formas práticas de fechar nosso ciclo, criamos o Projeto Supernova. Supernova é o nome dado à explosão de uma estrela massiva em seu estágio final de vida. Seu brilho pode ser tão intenso quanto o de uma galáxia, e sua a explosão cria nebulosas de gases coloridos e formas incríveis.
Assim como uma estrela que atinge seu maior brilho antes de morrer,  queremos que nossas peças brilhem por muito tempo antes de serem descartadas – se isso acontecer. Os brechós tem sido grande fonte de aquisição de novas peças: o que antes era uma prática da população de classes mais baixas, hoje se torna uma prática comum à todos. Com o objetivo de fomentar essa prática tão benéfica ao planeta – afinal, a roupa mais sustentável é a que já existe – resolvemos dar um bônus para quem devolver ao Espaço GB sua roupa GB usada. Avaliaremos as peças, executando os reparos que se fizerem necessários, e depois revenderemos em um brechó organizado por nós mesmos.
E então chegamos em um ponto super importante: o dinheiro arrecadado com a venda dessas peças será destinado para algum projeto que apoie a causa animal. Essa é uma bandeira que levantamos o tempo todo, e achamos justo e lindo que nosso apoio vá além do discurso.
Essa é a forma que encontramos no momento de reduzir nosso impacto e aumentar a vida útil das nossas peças, adiando seu descarte. A tecnologia evolui exponencialmente, e acreditamos que em breve ela nos ajudará a encontrar novas formas de resolver esses velhos problemas. Mas não dá pra ficar esperando: precisamos agir, no que estiver ao nosso alcance nesse momento.
E aí, o que achou?

 

 

 

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